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# Endpoint Privilege Management (EPM)

O módulo **Endpoint Privilege Management (EPM)** do DataDike PAM estende o controle de acesso privilegiado para dentro do sistema operacional alvo. Em vez de conceder direitos administrativos permanentes a contas e usuários, o EPM aplica o princípio do menor privilégio diretamente no endpoint: cada execução de aplicação, script, biblioteca ou instalador é avaliada contra **políticas reutilizáveis** que decidem se a operação deve ser permitida, bloqueada, elevada ou apenas auditada.

O EPM opera por meio de um **componente de endpoint do DataDike** (agente) instalado no SO alvo — estações de trabalho e servidores Windows. O agente é gerenciado de forma centralizada pelo console do PAM e comunica-se de forma autenticada e cifrada com o servidor, herdando os mecanismos de **auditoria central**, **RBAC**, **relatórios** e **alertas** do produto.

{% hint style="info" %}
O EPM não substitui os cofres de senha e a gravação de sessão do DataDike PAM; ele os complementa, controlando o que acontece **depois** do acesso, no nível do processo e do arquivo dentro do SO alvo.
{% endhint %}

## Conceitos fundamentais

* **Componente de endpoint (agente):** software do DataDike instalado no SO alvo, responsável por interceptar eventos de criação de processo, carregamento de bibliotecas, instalação de software e acesso a recursos sensíveis do sistema. Aplica as decisões de política localmente, mesmo quando temporariamente sem conexão com o servidor.
* **Política (Policy):** conjunto reutilizável de regras que associa **objetos** (alvos a serem avaliados) a um **modo de ação** e a um **escopo** de máquinas.
* **Objeto reutilizável:** descrição de um alvo de controle (um executável, script, DLL, instalador, controle ActiveX ou objeto COM) que pode ser referenciado por múltiplas políticas.
* **Escopo:** conjunto de máquinas, grupos de máquinas e contextos de usuário aos quais a política se aplica.
* **Evento:** registro de uma decisão ou de uma atividade observada pelo agente, enviado ao console e à auditoria central.

A navegação principal do módulo encontra-se em **Sysadmin > EPM**, com as áreas **Policies**, **Objects**, **Endpoints**, **Events** e **Credential Theft Protection**.

## Políticas reutilizáveis de controle de aplicação

As políticas de controle de aplicação são criadas em **Sysadmin > EPM > Policies > New Policy**. Uma política é composta por um ou mais **objetos reutilizáveis**, um **modo de ação** e um **escopo**.

### Tipos de objeto suportados

O EPM avalia, no mínimo, os seguintes tipos de objeto no SO alvo:

| Tipo de objeto                    | Descrição                                                    | Exemplos típicos                                                          |
| --------------------------------- | ------------------------------------------------------------ | ------------------------------------------------------------------------- |
| **Executáveis**                   | Programas executáveis em geral                               | `.exe`, `.bat`, `.cmd`, `.com`                                            |
| **Scripts**                       | Scripts interpretados                                        | PowerShell (`.ps1`), VBScript (`.vbs`), JScript (`.js`), `.wsf`           |
| **Aplicações nativas do Windows** | Aplicativos empacotados e componentes nativos da plataforma  | aplicativos empacotados (AppX/MSIX), aplicativos da loja, componentes UWP |
| **Bibliotecas dinâmicas (DLL)**   | Bibliotecas carregadas por processos                         | `.dll`, `.ocx` carregadas em tempo de execução                            |
| **Instaladores**                  | Pacotes de instalação de software                            | `.msi`, `.msp`, instaladores executáveis                                  |
| **Controles ActiveX**             | Controles ActiveX registrados e invocados no host            | controles `.ocx` registrados, componentes de navegador legados            |
| **Objetos COM**                   | Objetos Component Object Model instanciados por CLSID/ProgID | servidores COM in-process e out-of-process                                |

Cada objeto pode ser **reutilizado** em quantas políticas forem necessárias. A alteração de um objeto reflete-se automaticamente em todas as políticas que o referenciam, garantindo consistência e reduzindo retrabalho.

### Modos de ação

Cada política define como o EPM deve reagir quando um objeto em seu escopo é acionado:

| Modo        | Comportamento                                                                                                                                                                                                           |
| ----------- | ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- |
| **Allow**   | Permite a execução sem alteração de privilégios. Usado para liberar explicitamente aplicações confiáveis.                                                                                                               |
| **Deny**    | Bloqueia a execução/carregamento. O usuário recebe uma notificação e o evento é registrado na auditoria central.                                                                                                        |
| **Elevate** | Eleva temporariamente os privilégios do processo (execução como administrador) sem conceder direitos administrativos permanentes à conta do usuário. A elevação é granular, limitada ao objeto e ao escopo da política. |
| **Audit**   | Não interfere na execução, apenas registra o evento. Indicado para fase de descoberta e modelagem de políticas (modo de observação).                                                                                    |

{% hint style="warning" %}
O modo **Elevate** concede privilégios apenas ao processo identificado pela política, e não ao usuário. Isso evita a distribuição de senhas administrativas e a inclusão de contas em grupos privilegiados locais.
{% endhint %}

### Escopo por grupos de máquinas

O escopo determina **onde** e **para quem** a política vale. É possível combinar:

* **Grupos de máquinas:** conjuntos lógicos de endpoints (por unidade, função, ambiente — produção, homologação — ou sistema operacional).
* **Máquinas individuais:** seleção pontual de um ou mais endpoints.
* **Contexto de usuário/grupo:** restrição por usuário ou grupo de diretório que dispara a ação.

A combinação de objetos reutilizáveis com escopos por grupos de máquinas permite padronizar políticas corporativas e aplicá-las em larga escala, com exceções controladas por escopos mais específicos.

## Critérios de identificação de objetos

Para evitar evasão por renomeação ou substituição de arquivos, cada objeto pode ser identificado por um ou mais critérios combináveis. A identificação é configurada em **Sysadmin > EPM > Objects** ao criar ou editar um objeto.

### Verificação de checksum, parâmetros e assinatura do fabricante

Para cada objeto reutilizável das políticas, o EPM suporta a verificação de:

* **Checksum (hash) do arquivo:** cálculo do hash criptográfico do arquivo em disco e comparação com o valor cadastrado. Garante que o conteúdo exato corresponde ao objeto autorizado; qualquer alteração de bytes invalida a correspondência.
* **Parâmetros permitidos (linha de comando):** definição dos argumentos que podem acompanhar a execução. É possível restringir o objeto a um conjunto específico de parâmetros, recusando invocações com argumentos não previstos (útil contra abuso de utilitários legítimos com flags perigosas).
* **Assinatura digital do fabricante:** validação da assinatura Authenticode/certificado do publicador. Permite autorizar todos os binários assinados por um fabricante confiável e rejeitar arquivos não assinados ou com assinatura inválida/expirada.

{% hint style="info" %}
Os três critérios podem ser combinados em um mesmo objeto. Por exemplo: permitir um executável **somente** se o checksum corresponder **e** a assinatura do fabricante for válida **e** os parâmetros estiverem na lista autorizada.
{% endhint %}

### Nome exato e expressões regulares

O alvo de um objeto pode ser descrito por:

* **Nome exato** da aplicação, do arquivo ou do script, incluindo caminho completo quando desejado (correspondência literal).
* **Expressão regular (regex)** em qualquer formato, aplicável a nome de arquivo, caminho, nome de processo, publicador ou parâmetros.

O suporte a expressões regulares permite cobrir variações de versão, diretórios dinâmicos (por exemplo, perfis de usuário) e famílias de arquivos com um único objeto, mantendo as políticas enxutas e reutilizáveis.

| Critério       | Quando usar                             | Exemplo de intenção                                             |
| -------------- | --------------------------------------- | --------------------------------------------------------------- |
| **Nome exato** | Alvo único e estável                    | Um instalador corporativo específico                            |
| **Regex**      | Conjunto de alvos ou caminhos variáveis | Todos os scripts em um diretório, qualquer versão de um binário |
| **Checksum**   | Garantia de integridade do conteúdo     | Binário homologado e congelado                                  |
| **Assinatura** | Confiança no publicador                 | Todos os softwares assinados por um fabricante                  |
| **Parâmetros** | Restringir uso de utilitários legítimos | Bloquear flags perigosas de uma ferramenta de sistema           |

## Proteção contra roubo de credenciais

A área **Sysadmin > EPM > Credential Theft Protection** monitora e protege as bases de senhas em formato hash do sistema operacional contra acessos anômalos, com foco nas técnicas de **credential dumping**.

### O que é monitorado

* **SAM local:** o banco de contas de segurança local (Security Account Manager), que armazena hashes de senhas das contas locais.
* **LSASS:** o processo `lsass.exe` (Local Security Authority Subsystem Service), cuja memória contém material de credenciais de sessões ativas.
* Outras superfícies relacionadas, como tentativas de leitura direta de memória de processos sensíveis, acesso a hives de registro de segurança e uso de utilitários de extração de hashes.

### Detecção de dump de credenciais

O componente de endpoint observa padrões característicos de roubo de credenciais, entre eles:

* Abertura de handle com permissões de leitura de memória sobre o processo **LSASS** por processos não autorizados.
* Tentativas de cópia, exportação ou leitura bruta da base **SAM** e dos hives de segurança do registro.
* Execução de ferramentas e técnicas conhecidas de extração de hashes e de despejo de memória.
* Comportamento anômalo de arquivos e de usuários durante a interação com essas bases.

### Resposta a atividade anômala

Ao identificar atividade suspeita, o EPM executa, de acordo com a política configurada:

* **Alertar:** geração imediata de alerta no console do PAM e pelos canais de notificação integrados.
* **Reportar:** registro detalhado do evento na **auditoria central** (processo de origem, usuário, alvo, horário, ação tomada), disponível para correlação e relatórios.
* **Bloquear:** interrupção da atividade anômala — negação do acesso, encerramento ou contenção do processo ofensor — impedindo a conclusão do dump de credenciais.

{% hint style="danger" %}
Acessos legítimos (por exemplo, ferramentas de backup ou de segurança homologadas) devem ser explicitamente autorizados por objetos e políticas dedicados, para evitar bloqueios indevidos. Recomenda-se iniciar em modo **Audit** e promover para **Deny/Block** após validação.
{% endhint %}

## Criação de políticas a partir de eventos

A área **Sysadmin > EPM > Events** lista todos os eventos reportados pelos endpoints — execuções permitidas, bloqueadas, elevadas, auditadas e alertas de proteção de credenciais.

A partir de qualquer evento, o operador pode, com a devida permissão de RBAC:

* **Criar uma nova política** diretamente do evento, com os atributos do objeto (caminho, checksum, assinatura, parâmetros) pré-preenchidos a partir do que foi observado. Basta ajustar o modo de ação e o escopo e salvar.
* **Incluir o evento em uma política existente**, adicionando o objeto correspondente a uma política já cadastrada — útil para consolidar exceções em um conjunto de regras já aprovado.

Esse fluxo orientado a eventos acelera a modelagem de políticas: opera-se primeiro em modo **Audit** para descobrir o comportamento real do parque, e depois convertem-se os eventos relevantes em regras de **Allow**, **Deny** ou **Elevate**.

{% hint style="info" %}
Ao gerar uma política a partir de um evento, revise o critério de identificação sugerido. Para alvos estáveis prefira **checksum + assinatura**; para famílias de arquivos prefira **regex** sobre o caminho ou o nome.
{% endhint %}

## Proteção do componente de endpoint (anti-tamper)

O EPM impede que suas funcionalidades instaladas no SO alvo sejam desativadas sem autorização e sem registro:

* **Proteção de processo e serviço:** o agente protege seu próprio processo, serviço, arquivos e chaves de registro contra encerramento, desinstalação ou adulteração por usuários e processos não autorizados — inclusive por contas com privilégios elevados, salvo autorização explícita.
* **Autorização obrigatória:** operações de parada, desinstalação ou alteração de configuração do componente exigem autorização concedida pelo console do PAM, sujeita às regras de **RBAC**.
* **Registro indelével:** toda tentativa — bem-sucedida ou não — de desativar, parar ou adulterar o componente é registrada como evento na **auditoria central**, com geração de alerta. Não há caminho silencioso para desligar a proteção.

{% hint style="warning" %}
A combinação de autorização obrigatória e registro indelével garante que a remoção do controle seja sempre uma ação rastreável e atribuível, atendendo aos requisitos de não repúdio.
{% endhint %}

## Integração com o restante do DataDike PAM

O EPM não é um produto isolado: ele compartilha a plataforma do DataDike PAM.

* **Auditoria central:** todos os eventos de execução, elevação, bloqueio, proteção de credenciais e anti-tamper são gravados no repositório de auditoria do PAM, permitindo correlação com sessões privilegiadas, acessos a cofres e demais módulos.
* **RBAC:** a criação e a aprovação de políticas, a autorização de operações sobre o agente e o acesso às áreas do módulo são controlados pelos papéis e permissões do PAM. Operadores só veem e alteram o que seu papel permite.
* **Relatórios:** os dados do EPM alimentam os relatórios do PAM (conformidade, atividade por endpoint, políticas aplicadas, tentativas de dump de credenciais), exportáveis e agendáveis.
* **Alertas e notificações:** os alertas do EPM utilizam os mesmos canais de notificação e integrações de terceiros já configurados no PAM.

## Boas práticas de implantação

* Implante o componente em **modo Audit** inicialmente, observando o comportamento real antes de aplicar bloqueios.
* Padronize **objetos reutilizáveis** corporativos (suítes homologadas, instaladores aprovados) e referencie-os em múltiplas políticas.
* Prefira **checksum + assinatura do fabricante** para alvos críticos e **regex** para famílias de arquivos.
* Ative a **proteção contra roubo de credenciais** em todos os endpoints, autorizando explicitamente apenas ferramentas legítimas.
* Revise periodicamente os **eventos** para refinar políticas e reduzir falsos positivos.


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